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Universidade Federal de SC desenvolve kit rápido para exame de covid-19

08 julho 2021 - 13h52Por Priscila Carolina Dalagnol

Um kit rápido, barato e eficaz pode estar à disposição dos brasileiros e brasileiras em breve para diagnóstico da covid-19. Com custo de R$ 30 e capacidade de detectar o novo coronavírus em até 45 minutos, o teste foi criado numa parceria entre Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e ainda uma empresa de soluções tecnológicas.

De alta precisão, o produto poderá auxiliar unidades básicas de saúde de todo o país. Em pouco mais de um ano, os pesquisadores conseguiram identificar o material genético do SARS-CoV-2, através de uma técnica chamada RT-LAMP. Com capacidade de resultado equivalente ao já conhecido exame RT-PCR, o novo kit também utiliza amostras da orofaringe (coletadas pelo nariz). Em mais de mil avaliações nos testes de validação, a novidade demonstrou 96% de eficácia em sensibilidade e 98% na leitura de especificidade.

O teste também pode ser feito com amostras de saliva. Nesse caso, a metodologia alcançou 70% de sensibilidade e 98% de especificidade. E a equipe já observou que, ao repetir o exame em jejum, também é possível alcançar quase 100% de eficácia em sensibilidade.

“Qualquer profissional treinado pode aplicar o teste. Pela simplicidade, o custo operacional é muito menor do que a RT-PCR que exige equipamentos sofisticados e precisa ser executada por especialistas em biologia molecular”, explica o coordenador do projeto, André Pitaluga.

O próximo passo para tornar o kit realidade à população, é encontrar investidores para fabricação em escala industrial e submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa dos pesquisadores é manter a tecnologia a preços acessíveis e estender o estudo na identificação de outras doenças.  

“Desde o início, desenvolvemos esse produto com foco no Sistema Único de Saúde, com objetivo de ampliar o acesso ao diagnóstico e contribuir para o enfrentamento da pandemia no nosso país. Essa metodologia é muito versátil. Já estamos trabalhando em uma versão do kit para o diagnóstico da febre amarela”, antecipa André.

Do ponto de vista técnico, o exame é feito com a extração e amplificação do RNA viral. Com uma pipeta, os aplicadores vão depositar a amostra no local indicado, onde uma membrana retém as partículas de RNA presentes. Já para amplificar o genoma viral, o kit contém uma solução pronta, para reação de RT-LAMP, com enzima e moléculas específicas para identificar o RNA do SARS-CoV-2. O tubo com o material purificado aquecido a 65ºC em aparelho de banho seco ou banho maria, conclui o processo. Os resultados positivos alteram o pH da mistura e também sua coloração, para amarelo, enquanto nos casos negativos o líquido mantém a cor rosa original.

“As duas etapas são muito importantes para o diagnóstico. A extração facilita a detecção do RNA, aumentando a sensibilidade do teste. Se esse procedimento não for correto, ocorre a degradação do RNA viral, podendo gerar resultado falso-negativo”, destaca a pesquisadora do projeto, Luísa Rona.

Com informações da Universidade Federal.